saudades | i miss

Ainda escreves?

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Há quanto tempo não escrevem um postal, ou uma carta? Não me refiro aqueles postais, que assinamos com uma mensagem de felicidades e entregamos aos nossos colegas que acabaram de ser pais. Nem sequer me refiro aqueles postais, que juntamos ao presente de casamento dos nossos amigos.
Falo de postais, ou cartas, que depois de escritos, seguem por correio, para outra terra, para quem está longe, para quem gosta de receber notícias nossas. Há quanto tempo não escrevem um destes?
Eu há muito que não o fazia. E tive dificuldade em encontrar postais bonitos, que não tivessem mensagens pirosas, ou de Parabéns, ou de melhoras, ou com cegonhas a anunciar a chegada de bébés. Os hábitos de escrita mudaram, e a oferta de produtos também. Nem me vou queixar disso, porque a culpa também é minha, que já não escrevo aos amigos e à família, só “teclo” e “mailo”. 
Felizmente encontrei este, da Princess Pea, com desenhos de ilustradores portugueses. Mesmo o que eu precisava, já que vai seguir para uma amiga portuguesa, que mora noutro país. O galo de Barcelos levar-lhe-á saudades de cá. E no verso do envelope, estreei um carimbo que a Margarida me ofereceu há algum tempo e que eu… não queria sujar com a almofada de carimbos! (sou como a minha Avó Rosa, que guardava os guardanapos bonitos que usávamos na ceia de natal, para não os sujar!)
E tu, tens saudades de receber cartas e postais trazidos pelo carteiro?

Dias 17 e 18 – em França ‘portuguesa’

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Quando saímos de Lyon, no nosso 17º dia de viagem, seguimos rumo a Regny, para ficar nessa noite, em casa de uns primos do Pedro, luso-descendentes que nos costumam visitar em Agosto, em Lisboa.
Fomos muito bem recebidos, como é hábito dos Beirões, com muita alegria e uma mesa bem cheia.
Sempre achei curiosa e corajosa a saga dos emigrantes, que deixam tudo em busca de uma vida melhor, na esperança de um dia voltar “à terra”. O regresso nem sempre acontece, principalmente porque a família cria raízes no país que os recebeu, e a partida na reforma torna-se mais difícil de acontecer.
Foi aqui que aproveitei para tirar umas fotografias ao “crescimento” do casaco que levei para tricotar na viagem. E se desviarem o olhar do casaco, para o painel de azulejos que está na parede, conseguem perceber que as marcas portuguesas estão sempre presentes, na casa de quem tem coração luso – a imagem é do forcão, da garraiada que ocorre nas festas da Rebolosa, concelho do Sabugal, de onde a família paterna do Pedro é oriunda.

E foi neles que pensei ontem, quando fui ao cinema vêr A Gaiola Dourada e me emocionei com o fado cantado pela Catarina Wallenstein…
Soltei muitas gargalhadas ao longo do filme, mas nesta parte, não pude impedir as lágrimas de correrem pelo rosto abaixo, ao som destas palavras… “Talvez que eu morra na noite onde a morte é natural as mãos em cruz sobre o peito. Das mãos de Deus tudo aceito, mas que morra em PORTUGAL”

Sweet Memories

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Sabem quando aparece de repente alguém de quem já não sabiamos há muito muito tempo?
E as memórias chegam num atropelo, a quererem sobrepor-se umas às outras na conversa, como que a chamar a razão a si mesmas… e lembras-te quando dizias isto, e fazias aquilo, e nos ríamos muito, e não gostávamos daquela e … e … o que é feito de ti, ao fim destes 25 anos?!

Eu tinha 15 anos… como o tempo passou tão depressa?!
Atenção que não estou triste!!!
Só espantada com a velocidade da vida…

Hoje tenho uma filha quase com essa idade, e quando olho para ela penso nestes meus momentos dos 15 anos, que tão boas recordações me deixaram. Sabem quando se sente um gosto doce nos lábios, só com as memórias? Eu sei 🙂

aluna vs. trabalhadora

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tenho saudades.
saudades de aqui escrever.
saudades de quando andava na escola e tinha férias de Verão tão longas, que nem me dava ao trabalho de saber quando é que elas iriam terminar.
saudades de escrever num caderno, todos os dias: Sumário.
saudades dos intervalos em que descíamos a escada a correr para passar mais tempo na conversa com os colegas.

o caricato de tudo isto é que quase diariamente,
eu escrevo aqui,
tenho férias de Verão que me fazem esquecer tudo o que deixei no trabalho, ou em casa,
mesmo quando regresso, as férias prolongam-se em casa, porque os miúdos vão de férias com a restante família (situações próprias dos filhos de pais divorciados, como são os nossos),
todos os dias escrevo nos meus diferentes cadernos, as tarefas que fiz, que tenho por fazer, e tento planear os meus dias,
faço intervalos e converso com os colegas, sem sempre preciso descer e subir as escadas a correr, mas…

não é a mesma coisa, pois não?

Nota: Acrescentei a fotografia que deu origem às minhas saudades. Quem é que se atreve a descobrir qual delas sou eu? Posso dizer que a fotografia foi tirada no ano lectivo de 1978/79 e que eu teria 6/7 anos.

Tempo Livre

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Hoje deixámos as tarefas domésticas, e os chamados afazeres, para trás e fomos dar uma volta até ao Ribatejo. O dia não esteve bonito, a chuva miudinha acompanhou-nos sempre, mas não nos importámos demasiado com isso e optámos por sair de casa e apreciar as paisagens da lezíria ribatejana.

E talvez pelo local, por ser 25 de Abril, pela liberdade que senti de vaguearmos por Benavente, e Salvaterra de Magos, como se fosse outro País, tão perto de Lisboa, mas com uma paisagem tão diferente da nossa capital, com os campos salpicados de papoilas, e ao vê-las, lembrei-me da canção que a minha Mãe nos ensinou quando éramos pequenos…

E cantei-a.
Cantei-a toda, do início ao fim, sem perder um verso, sem me tremer a voz, cheia de esperança e orgulho neste nosso povo, “que serra fileiras, parte à conquista do pão e da paz! Somos livres, somos livres, não voltaremos a trás!”
Cantei-a na esperança de que também as minhas filhas aprendessem a letra e vibrassem com ela, como eu quando era pequena, mas… esta geração já não entende as gerações antecessoras, pois felizmente não entende o que é não ter Liberdade!

E diz-me o PP, em tom de brincadeira, quando acabei a minha actuação: não sabia que eras comunista!?
Ao que respondo: sou um pouco de tudo, desde que as idéias sejam boas, o País melhore com elas, e sejam bem defendidas. “Somos livres, somos livres, somos livres de crescer!”

Tentativa de Folar de Olhão (ou da Avó Rosa)

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Nota: Em primeiro lugar tenho que dizer que, como não tinha a minha máquina fotográfica operacional, estas fotografias foram tiradas com o telemóvel, por isso é que estão assim… uma bodega!

A minha Avó Rosa (avó materna) era uma excelente cozinheira e doceira. Viveu em Olhão quase toda a sua vida e aprendeu a fazer o Folar de Páscoa à moda daquela terra. É um bolo que nós sempre gostámos muito e tivemos sempre pena de não ter ficado com a receita dela.

Durante a minha infância vi-a fazer provavelmente centenas deles, portanto sei como se faz (ou pensava que sabia…) mas não sabia as doses certas. Este fim de semana lembrei-me dela, lembrei-me dos folares e resolvemos abraçar a obra. Pesquisei receitas na internet e acabei por adoptar aquela que me pareceu mais próxima do original. Querem tomar nota?

Usei estes ingredientes e fiz 3 folares pequenos:
1 kg farinha de trigo
60 g fermento de padeiro
130 g de banha de porco
250 g de manteiga
1 cálice de aguardente
Sumo de 2 laranjas (eu só tinha uma cá por casa, juntei um pouco de limão)
Açúcar amarelo (gastei quase um kilo com os 3 folares)
Canela

Junta-se a farinha com a banha, com metade da manteiga, o cálice da aguardente, o sumo das laranjas e o fermento (que se desfez num pouco de àgua morna) e amassa-se muito bem, até a massa estar macia, elástica e sem se pegar às mãos. Quem o faz manualmente indica que deve amassar pelo menos durante 10 minutos. Eu coloquei os ingredientes no robot, com o utensílio indicado para massas de pão, durante mais de 5 minutos.

Unta-se abundantemente o fundo dum tacho de metal pequeno (o meu tem 16 cm diâmetro) e os lados, com manteiga. Coloca-se uma camada generosa de açúcar amarelo e canela no fundo do tacho e começamos a tratar da massa. Fazem-se bolas de massa com dimensões idênticas, que são estendidas com o rolo da massa formando círculos do diâmetro um pouco menor que o do tacho. Os círculos são besuntados com a manteiga dum lado e do outro e são colocados no tacho alternadamente com camadas generosas de açúcar e canela até ficar a uns dois a três cms da altura do tacho.

Coloca-se o folar a levedar no forno durante uma hora a 50ºC. Quando terminar, aumenta-se o forno para entre 180 a 190ºC e coze durante outra hora.
Quando estiver pronto deve ser desenformando de imediato (vira o tacho ao contrário para cima de um prato), porque se arrefecer, o açúcar fica rijo e agarra-se às paredes do tacho impedindo-o de sair.

Resultado:
Fizémos o primeiro ontem à noite (primeira foto) e, como me esqueci da primeira camada de açúcar e canela no fundo do tacho, ele ficou clarinho e quase sem calda e queimou ligeiramente o topo (que passa a ser o fundo)…
O segundo (segunda foto) foi feito hoje às 6h30 da manhã (por isso é que ’tou com xono…), levou muito mais açúcar, mas não teve o tempo todo a levedar, ficou muito mais pequeno e agora à tarde quando cheguei a casa, o açúcar estava muito duro…
Neste momento está o terceiro no forno, o que sairá dali?

Quero vêr os vossos resultados, mostram?

É amanhã!

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Vista do Jardim
Upload feito originalmente por SofiAlgarvia

Em Sagres reina a calma, quer seja Verão, ou Inverno.
Aqui passei muitos Verões na infância, era o local de eleição dos meus Pais para passar os Setembros. Acampávamos no pinhal da terra, perto das mesmas famílias de sempre, sentía-mo-nos em casa.
Uns dias ele caçava, noutros pescava, nós brincávamos nas praias e a minha Mãe recarregava baterias para um novo ano lectivo. Sempre associei tranquilidade a esses tempos e a este lugar.

Hoje demos um passeio a pé pela Vila e o sentimento mantém-se… as pessoas cumprimentam-se quando se cruzam na rua, mesmo sem se conhecerem, conhecem-se, sabem que estamos de férias, que estamos contentes, que somos ruidosos, mas que não perturbamos o lugar – estamos em casa!

Hoje ainda estou nos “intas”, ainda sou “Trintona”, amanhã já não…
Será uma nova década, com certeza recheada de surpresas e desafios, como o é sempre uma vida cheia!

Até amanhã 🙂

Hoje

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Hoje não estou inspirada, estou “in denial”…
Há dias assim…

Fiquei a saber que faz hoje 19 anos, Ela estava Linda, Radiante, e extramente bem-disposta, no horário das visitas ao hospital… fazia 50 anos!

… e eu estava a estudar fora, na Alemanha… não comemorei com eles o seu último aniversário…

Tenho taaaaaantas saudades, Mãe!

Mãe

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Hoje faz anos, muitos, mesmo muitos, para nós parecem séculos!, que a minha Mãe faleceu…

E não é que hoje encontrei uma fotografia dela no Facebook?!
A minha Mãe, entre outras actividades que tinha, cantava no Grupo Coral de Portimão.

Esta fotografia tem muitos anos e eu lembro-me dela ter sido tirada.
Pela expressão se vê que estava empenhada na tarefa – como era hábito em todas as tarefas em que participava!

Está na primeira fila, vestido às riscas… e devia ser a mais baixinha – 1,50m chegava-lhe para enfrentar algumas partidas que a vida lhe pregou!

Não consigo deixar passar este dia em branco…

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